“Vou poder comer tudo normalmente?” — Essa é, sem dúvida, uma das perguntas mais comuns que muitas pessoas fazem logo no início do tratamento oncológico. É compreensível: quando entramos em um processo tão intenso e cheio de mudanças, a alimentação passa a ser uma das maiores preocupações.

A boa notícia é: você não está sozinho nessa dúvida. Mas também é importante entender que não existe uma resposta única e universal.

Por que não existe uma resposta única?

Cada pessoa é única — assim como a sua alimentação antes do diagnóstico. A forma como você se alimentava, os seus hábitos e preferências influenciam diretamente o que é recomendado durante o tratamento.

Por exemplo:

  • Se você consumia bebidas alcoólicas com frequência, pode ser que o nutricionista indique restrições mais específicas.

  • Se sua dieta era rica em alimentos ultraprocessados, pode ser necessário fazer ajustes para melhorar a resposta do organismo.

  • Quem já tinha uma alimentação balanceada pode ter menos alterações nas orientações, mas ainda assim pode precisar adaptar o plano durante o tratamento.

O que muda durante o tratamento?

Durante o tratamento oncológico, o organismo passa por muitas transformações — por efeito dos medicamentos, quimioterapia, radioterapia ou mesmo pelo impacto da doença em si. Isso pode influenciar:

  • A fome e o apetite

  • O paladar e o olfato

  • A digestão

  • A tolerância a certos alimentos

Tudo isso significa que aquilo que você comia “normalmente” antes — mesmo que fosse saudável — pode precisar de ajustes momentâneos.

Qual é a importância de um nutricionista especializado?

Um nutricionista com experiência em oncologia é fundamental porque ele:

✔️ Avalia sua alimentação anterior e atual
✔️ Entende seus sintomas e dificuldades específicas
✔️ Elabora um plano alimentar individualizado
✔️ Relaxamente suas queixas reais com alimentos reais
✔️ Acompanha seu progresso e faz ajustes sempre que necessário

Essa avaliação especializada pode fazer toda a diferença para melhorar sua qualidade de vida durante o tratamento, reduzir efeitos colaterais e manter o corpo nutrido da melhor forma possível.

Então, o que posso (ou não posso) comer?

A resposta mais honesta que um profissional pode dar é:

Você pode comer bem — mas o “normalmente” pode ser ajustado de acordo com o seu corpo, seus sintomas e suas necessidades.

Isso não significa que você não terá prazer em comer — significa que o plano será adaptado ao que funciona pra você, respeitando tolerâncias, preferências e o momento do tratamento.

Conclusão

Se você está começando um tratamento oncológico ou conhece alguém nessa jornada, fique com isso:

➡️ Não existe uma dieta única para todos.
➡️ O que importa é o acompanhamento personalizado.
➡️ Avaliar os hábitos antes do tratamento faz toda a diferença.

E sim — você pode continuar se alimentando de forma saborosa e nutritiva, com ajustes baseados na sua necessidade individual.

Por Socorro Coêlho, nutricionista oncológica.

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