A sarcopenia é uma condição silenciosa que afeta mais da metade dos pacientes com
câncer de pulmão. Ela se caracteriza pela perda progressiva de massa e força
muscular, e muitas vezes começa antes mesmo de surgirem sintomas mais
evidentes, como falta de ar. O corpo, já sobrecarregado pela doença, enfrenta uma
combinação de inflamação crônica, fadiga e efeitos adversos que aceleram esse
desgaste físico.

O problema é que, quanto mais avançada a sarcopenia, maior o impacto negativo na
capacidade funcional, na resposta aos tratamentos e no prognóstico. A boa notícia é
que, quando a nutrição é inserida no cuidado desde o diagnóstico, é possível frear
essa perda e melhorar significativamente a qualidade de vida.

Um nutricionista oncológico atua como parte fundamental da equipe médica, usando
a alimentação como ferramenta para fortalecer a imunidade, preservar músculos,
facilitar a recuperação e até reduzir o tempo de internação.

Estratégias nutricionais que fazem a diferença

Dieta anti-inflamatória rica em antioxidantes
Priorizar frutas, verduras, grãos integrais e alimentos ricos em compostos bioativos
ajuda a controlar a inflamação e manter a função muscular.
Ômega-3 (EPA e DHA) como aliado muscular
Encontrados em peixes de água fria, sementes e suplementos, esses ácidos graxos
combatem a inflamação e estimulam a recuperação muscular.
Controle do índice glicêmico
Evitar picos de açúcar no sangue reduz processos inflamatórios sistêmicos,
favorecendo um ambiente mais equilibrado para o corpo.
Adaptação das refeições às limitações do paciente
Fracionar as refeições e ajustar o cardápio para garantir até 2,5 g de proteína por kg
de peso corporal por dia ajuda a manter o aporte necessário, mesmo com apetite
reduzido.
Aminoácidos de cadeia ramificada e HMB
Leucina, isoleucina, valina e o HMB estimulam a síntese de proteínas musculares,
ajudando a preservar a massa magra mesmo durante tratamentos intensos.

Mais que suporte, parte do tratamento
O cuidado nutricional no câncer de pulmão vai além de complementar a terapia: ele é
parte integrante do tratamento. Com uma alimentação ajustada, o paciente ganha
mais energia, preserva a força e enfrenta as etapas mais exigentes do tratamento
com mais resistência física e emocional.

Conclusão
A sarcopenia no câncer de pulmão não deve ser vista como uma consequência
inevitável. Quando a nutrição oncológica entra em ação logo no início, antes mesmo
do aparecimento dos sintomas mais evidentes, ela pode mudar o rumo da doença.
Com uma dieta anti-inflamatória, aporte adequado de proteínas, uso estratégico de
suplementos e ajustes personalizados, é possível preservar músculos, melhorar a
tolerância ao tratamento e aumentar a sobrevida. Mais do que nutrir, essa abordagem
oferece ao paciente condições reais de lutar com mais força e dignidade.

Por isso, a integração entre oncologistas e nutricionistas deve ser prioridade desde o
diagnóstico. É um cuidado que não apenas alimenta o corpo, mas também sustenta
a esperança e a qualidade de vida durante toda a jornada contra o câncer.
Por Socorro Coelho, nutricionista oncológica.

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