A diarreia durante a quimioterapia pode afetar a recuperação. Descubra as melhores estratégias nutricionais para controle e suporte, sem depender exclusivamente de medicamentos.

Introdução

Durante a quimioterapia, a diarreia é um sintoma sério. Vai além do desconforto, pois pode causar desidratação, perda de nutrientes e desequilíbrio eletrolítico — comprometendo a recuperação e a qualidade de vida do paciente. Por isso, adotar estratégias nutricionais seguras, específicas e personalizadas é essencial para controlar o quadro sem depender exclusivamente de medicamentos.


1. Hidratação adequada 

A hidratação deve ser constante. Além da água, recomendo o consumo de soro caseiro, água de coco, isotônicos, chás claros (como camomila), sucos coados e sopas leves. A reposição de líquidos e eletrólitos perdidos é essencial para estabilizar o organismo e evitar complicações.


2. Alimentos constipantes

Inclua alimentos com efeito constipante e de fácil digestão. Entre os que costumo indicar estão: arroz branco, batata inglesa ou doce, cenoura cozida, banana, mandioca, macarrão, pão branco, biscoito salgado e farinhas refinadas. Eles ajudam a firmar as fezes e a reduzir a frequência das evacuações.


3. Fibras solúveis

Dou preferência às fibras solúveis, como as encontradas na maçã (sem casca), pera, goiaba e banana maçã. Elas formam um gel no intestino, retardam o trânsito intestinal e ajudam a controlar a diarreia. Evito as fibras insolúveis (presentes em cascas e cereais integrais), pois aceleram o processo intestinal.


4. Evitar lactose temporariamente

Durante episódios de diarreia, é comum haver uma redução da enzima lactase, dificultando a digestão da lactose. Recomendo suspender temporariamente o consumo de leite e derivados, substituindo por bebidas à base de soja ou versões sem lactose.


5. Reposição de potássio e sódio

A perda de eletrólitos como sódio e potássio pode comprometer o funcionamento do organismo. Para reverter isso, oriento o consumo de alimentos ricos em potássio — como banana, batata e carnes brancas — e a reposição de sódio por meio de soro caseiro ou alimentos salgados leves.


6. Fracionamento das refeições

Recomendo dividir a alimentação em pequenas porções ao longo do dia (4 a 6 refeições), o que facilita a digestão, melhora a absorção e reduz a sobrecarga intestinal.


7. Chás e remédios naturais

Alguns recursos naturais podem ser úteis como coadjuvantes. Entre eles, destaco o chá de camomila com folhas de goiabeira, que possui efeito antiespasmódico e ajuda a controlar o movimento intestinal. Xarope caseiro de cenoura com maçã também é uma boa opção — sempre com supervisão profissional.


8. Dieta tipo “BRAT” adaptada

Em alguns casos, aplico uma versão adaptada da dieta BRAT (Banana, Rice, Applesauce, Toast), que combina esses alimentos firmadores com fontes leves de proteína, como frango desfiado, ovos cozidos ou peixe grelhado.


9. Suplementos e cuidados complementares

Dependendo da gravidade, considero o uso de dietas líquidas completas ou suplementos específicos, além de probióticos e glutamina, sempre avaliando as necessidades e tolerâncias individuais de cada paciente.


10. Sinais de alerta

É fundamental monitorar a evolução da diarreia. Alerto sempre meus pacientes para procurarem atendimento médico imediato caso apresentem:

  • Febre

  • Sangue nas fezes

  • Sinais de desidratação (boca seca, pouca urina, tontura)

  • Diarreia intensa ou persistente por mais de 24 horas

Por Socorro Coêlho, nutricionista oncológica

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