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Meta descrição: Conheça 10 hábitos alimentares que podem aumentar o risco de câncer ao longo do tempo e entenda como álcool, carnes processadas e outros fatores entram nessa relação.

Câncer não depende apenas da genética

Quando alguém recebe um diagnóstico de câncer, uma das primeiras perguntas costuma ser: “Isso aconteceu por causa da genética?”

A genética pode ter importância, mas o câncer é uma doença complexa e seu desenvolvimento também pode estar relacionado a fatores ambientais, comportamentais e de estilo de vida.

Por isso, quando falamos em alimentação e câncer, precisamos olhar para hábitos que se repetem ao longo do tempo.

Recomendações internacionais para prevenção do câncer incluem manter um peso adequado, praticar atividade física, priorizar alimentos vegetais, limitar carnes vermelhas e processadas, reduzir bebidas açucaradas e limitar o álcool.

Também é importante entender que risco não significa certeza. Ter um fator de risco não significa que a pessoa obrigatoriamente desenvolverá câncer.

1. Consumo de bebidas alcoólicas

A relação entre álcool e câncer merece atenção.

O consumo de bebidas alcoólicas está associado ao aumento do risco de diferentes tipos de câncer. Para prevenção do câncer, a recomendação do World Cancer Research Fund é que o melhor seja não consumir bebidas alcoólicas.

Isso inclui vinho, cerveja e destilados.

O organismo não deixa de receber álcool porque a bebida foi apresentada como “mais sofisticada” ou porque possui algum outro componente considerado saudável.

2. Consumo frequente de carnes processadas

Bacon, presunto, salame, salsicha e algumas linguiças são exemplos de carnes processadas.

A relação entre carne processada e câncer colorretal possui evidência consistente. Por isso, recomendações internacionais orientam consumir pouca ou nenhuma carne processada.

Isso não significa que comer um pedaço de bacon uma vez vai causar câncer.

O ponto principal é evitar transformar carnes processadas em parte frequente da alimentação.

3. Excesso de carne vermelha

Carne vermelha e carne processada não são sinônimos.

Carne bovina, suína e de cordeiro, por exemplo, entram na categoria de carnes vermelhas, enquanto presunto, bacon e salame são carnes processadas.

Quando falamos em carne vermelha e câncer, a orientação é moderação, enquanto para carne processada a recomendação é limitar ainda mais o consumo.

Não é necessário tratar carne vermelha como um alimento automaticamente proibido.

4. Consumir alimentos com mofo

Aqui é importante evitar exageros.

Não é correto dizer que qualquer pequeno contato com mofo vai causar câncer.

Porém, determinados fungos podem produzir substâncias chamadas micotoxinas. Entre elas estão as aflatoxinas, que podem contaminar determinados cereais, oleaginosas e outros alimentos e estão relacionadas ao câncer de fígado.

Por isso, alimentos mofados não devem ser tratados como algo inofensivo.

5. Consumir bebidas muito quentes

Você não precisa abandonar o café ou o chá porque ouviu dizer que bebidas quentes causam câncer.

A preocupação está na temperatura muito elevada.

O consumo habitual de bebidas em temperaturas muito altas foi classificado como provavelmente carcinogênico para humanos, principalmente pela associação observada com câncer de esôfago.

Portanto, o ponto central não é o café ou o chá, mas consumir repetidamente bebidas quentes a ponto de causar desconforto ou agressão térmica.

6. Exagerar em alimentos muito salgados

Uma pitada de sal na comida não deve ser transformada no único problema da alimentação.

O que merece atenção é o consumo frequente de alimentos com grande quantidade de sal e determinados produtos conservados por salga.

Um padrão alimentar equilibrado deve priorizar alimentos nutritivos e reduzir a frequência de produtos muito processados e ricos em sal, gordura ou açúcar.

7. Consumir carnes muito queimadas com frequência

A relação entre carne queimada e câncer é mais complexa do que algumas publicações fazem parecer.

Quando carnes são preparadas em temperaturas muito altas, especialmente diretamente sobre chama, podem se formar substâncias chamadas aminas heterocíclicas e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos. Estudos laboratoriais mostram potencial de causar alterações no DNA, mas a relação entre os níveis encontrados na alimentação humana e câncer ainda apresenta incertezas.

Isso não significa que um churrasco ocasional determine quem terá câncer.

O cuidado é evitar consumir frequentemente partes excessivamente queimadas ou carbonizadas.

8. Misturar bebida alcoólica com energético

É importante fazer uma correção quando falamos em bebida alcoólica com energético e câncer.

O fator com evidência estabelecida de risco para câncer nessa mistura é o álcool.

Não existe base para apresentar o energético como se ele, sozinho, tivesse o mesmo nível de evidência carcinogênica do álcool.

Portanto, se o objetivo é falar em prevenção do câncer, o foco deve estar principalmente na quantidade e frequência do consumo de álcool.

9. Consumir refrigerante com muita frequência

Uma pergunta muito pesquisada é:

Refrigerante causa câncer?

Não é adequado afirmar que tomar refrigerante diretamente causa câncer.

A questão é que o consumo frequente de bebidas açucaradas, incluindo muitos refrigerantes, pode facilitar o excesso de calorias e o ganho de peso. O excesso de peso corporal está associado ao aumento do risco de vários tipos de câncer.

Por isso, reduzir refrigerantes pode fazer parte de uma estratégia de prevenção.

10. Basear a alimentação em fast food

O problema não é comer um hambúrguer ocasionalmente.

A preocupação aparece quando fast food e produtos de alta densidade energética ocupam grande parte da alimentação.

Esse padrão pode favorecer ganho de peso e diminuir o espaço para frutas, legumes, verduras, feijões e cereais integrais. Recomendações de prevenção orientam limitar fast foods e outros produtos processados ricos em gordura, amido ou açúcar.

Como reduzir o risco de câncer pela alimentação?

Não existe um alimento capaz de impedir sozinho o desenvolvimento do câncer.

Da mesma forma, prevenção não precisa significar viver com medo da comida.

Vale observar principalmente o que se repete:

  • frequência do consumo de álcool;
  • quantidade de carnes processadas;
  • variedade de frutas e vegetais;
  • consumo de feijões e cereais integrais;
  • frequência de bebidas açucaradas;
  • presença de fast food na rotina;
  • manutenção de um peso adequado.

Quando o assunto é hábitos alimentares que aumentam o risco de câncer, frequência e padrão alimentar importam muito mais do que uma refeição isolada.

Por Dra. Socorro Coêlho, nutricionista oncológica.

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