Durante o tratamento oncológico, fortalecer o organismo não é apenas uma questão de prevenção. É estratégia.

Ao longo dos atendimentos, percebo que muitas pessoas buscam soluções isoladas, quando na verdade o que faz diferença é um conjunto de escolhas bem direcionadas. Pensando nisso, compartilho aqui o meu “kit imunidade” favorito, composto por quatro pilares que ajudam a manter o corpo mais resiliente, estruturado e preparado para enfrentar cada etapa do tratamento.

1. Própolis: o poder dos bioativos

Mais do que um preventivo tradicional, o própolis é um verdadeiro concentrado de compostos bioativos.

Ele contém substâncias com ação anti inflamatória potente, que ajudam a modular processos inflamatórios comuns durante o tratamento. Além disso, possui propriedades imunomoduladoras, ou seja, auxilia no equilíbrio do sistema de defesa sem estimulá lo de forma desordenada.

Na prática, isso significa ajudar o corpo a responder melhor aos desafios impostos pelas terapias oncológicas, respeitando sempre a individualidade de cada paciente.

2. Caldê: cálcio + vitamina D

A base para um corpo resistente começa pela estrutura.

O cálcio é essencial para manter a densidade óssea, especialmente em tratamentos que podem impactar o metabolismo ósseo, como algumas terapias hormonais. Já a vitamina D vai muito além da saúde dos ossos.

A vitamina D atua como um hormônio e participa diretamente da regulação da imunidade. Ela influencia células de defesa e ajuda a organizar a resposta imunológica do organismo.

O foco aqui é claro: reforço estrutural e imunológico. Um corpo bem estruturado responde melhor ao tratamento.

3. Imunoglucan: o poder da beta glucana

Conhecido por muitos como o “amarelinho”, o Imunoglucan é composto por uma levedura específica rica em beta glucana.

A beta glucana atua estimulando células importantes do sistema imunológico, deixando as defesas mais preparadas e vigilantes. É como oferecer um treinamento extra para que o organismo reconheça e responda com mais eficiência aos desafios.

Não se trata de estimular em excesso, mas de promover preparo e equilíbrio.

4. Proteína: o bloco de construção da imunidade

Músculo não é apenas estética. É saúde metabólica, reserva funcional e imunidade.

Durante o tratamento, a perda de massa muscular pode acontecer com facilidade devido à inflamação, redução do apetite e alterações metabólicas. Por isso, garantir ingestão proteica adequada é fundamental.

A lógica é simples:

A proteína auxilia na síntese e manutenção da massa muscular.
Músculos preservados significam melhor resposta metabólica e imunológica.
Mais massa magra está associada a maior disposição e melhor recuperação entre as sessões de tratamento.

Sem sustentação muscular, o corpo perde parte importante da sua capacidade de resposta.

Estratégia é tudo

Cada um desses itens desempenha um papel específico dentro de uma estratégia maior. Não existe fórmula mágica isolada, mas sim um conjunto de escolhas bem orientadas.

Fortalecer a estrutura, modular a inflamação, treinar o sistema imunológico e preservar a massa muscular são pilares que tornam o organismo mais resiliente e preparado para enfrentar cada etapa do tratamento.

A suplementação e os ajustes nutricionais devem sempre ser individualizados e acompanhados por profissional habilitado, considerando fase do tratamento, exames laboratoriais e sintomas apresentados.

Cuidar da imunidade é cuidar da capacidade do seu corpo de continuar lutando.

Por Socorro Coêlho, Nutricionista Oncológica.

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